Como a universidade deve evoluir para preparar os alunos para um mercado de trabalho em constante transformação? Essa foi uma das principais questões discutidas no encontro “Educação na Era da IA: Precisamos Reaprender a Aprender?”, promovido pelo Ibmec em parceria com o MIT & MIT Sloan Alumni of Brazil, no dia 22 de setembro, no Auditório Ibmec Faria Lima, em São Paulo.

O evento reuniu Rossano Marques, CEO da YDUQS e MIT Sloan alumnus; Claudio Pinhanez, cientista, inovador e professor colaborador da USP; Paula Esteban Jardim, Diretora de Educação do Ibmec; e Reginaldo Nogueira, Diretor Executivo do Ibmec, em um debate sobre inteligência artificial, aprendizagem, formação acadêmica e futuro do trabalho.

IA: oportunidade e desafio para a educação

Abrindo o encontro, Rossano Marques apresentou um panorama sobre as oportunidades e os desafios que a IA traz para o ensino superior. Entre as possibilidades estão a personalização do ensino, a adaptação do ritmo de aprendizagem, a atualização de conteúdos e a ampliação do acesso a experiências educacionais.

Ao mesmo tempo, o avanço da tecnologia levanta uma questão fundamental: como utilizar a IA para potencializar a aprendizagem sem comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico?

Uma pesquisa apresentada durante o evento mostrou que 72% dos 2.408 alunos consultados já utilizavam IA para estudar, principalmente para obter explicações alternativas, resumir conteúdos, pesquisar disciplinas e criar questões para praticar.

Os dados reforçam que a discussão já não é apenas sobre a adoção da tecnologia, mas sobre como utilizá-la de maneira consciente, pedagógica e responsável.

O aluno no centro da aprendizagem

Claudio Pinhanez trouxe outra perspectiva para o debate ao discutir o papel dos estudantes diante dos grandes modelos de linguagem (LLMs).

Embora ferramentas de IA apresentem recursos como interação em linguagem natural, multimodalidade e ampla disponibilidade, elas também possuem limitações, como respostas incorretas, inconsistência e dificuldade em situações que exigem bom senso.

A partir disso, a discussão propôs colocar o aluno como sujeito da aprendizagem, utilizando a tecnologia como ferramenta para explorar, construir e testar conhecimentos, e não simplesmente como substituta do processo de reflexão.

“Temos que tomar cuidado para não medir evolução com instrumentos do passado.”

A reflexão também chegou às formas de avaliação e às competências que precisam ser desenvolvidas pelos estudantes em um cenário no qual o acesso à informação está cada vez mais facilitado.

Como o Ibmec está respondendo à transformação

O encontro também apresentou iniciativas que já vêm sendo desenvolvidas pelo Ibmec para incorporar a IA ao processo de ensino-aprendizagem.

Paula Esteban Jardim compartilhou exemplos de professores que utilizam IA em sala de aula e na produção de conteúdos, incluindo a criação de podcasts como forma de apresentar determinados temas em formatos mais próximos da rotina dos estudantes.

Outro destaque foi o projeto piloto com o NotebookLM/Gemini, que permite acompanhar o uso da ferramenta por professores e alunos e analisar seus impactos ao longo do semestre.

A instituição também vem trabalhando na definição de diretrizes para o uso responsável da IA e na formação continuada dos docentes, com foco em ferramentas inteligentes, metodologias ativas e novas estratégias de ensino.

A apresentação também mostrou que a adoção da IA no Ibmec vem acompanhada de uma preocupação com intencionalidade pedagógica, formação docente e critérios para o uso responsável da tecnologia.

Nesse contexto, a instituição trabalha na construção de diretrizes para orientar a comunidade acadêmica e também na capacitação contínua dos professores para o uso de ferramentas inteligentes, metodologias ativas e novas estratégias de ensino.

Mais do que usar IA: aprender a pensar com a tecnologia

Um dos principais pontos do encontro foi a necessidade de diferenciar o uso da Inteligência Artificial como ferramenta de apoio à aprendizagem de um uso que substitua o esforço intelectual do estudante.

As apresentações trouxeram evidências de que a tecnologia pode contribuir para personalizar conteúdos, apoiar professores, ampliar possibilidades de interação e tornar determinados processos mais eficientes. Porém, os resultados dependem da forma como essas ferramentas são desenhadas e utilizadas.

A pesquisa apresentada por Rossano também mostrou que os próprios estudantes reconhecem alguns dos riscos associados ao uso da IA. Entre os respondentes, 49% demonstraram preocupação com o recebimento de informações incorretas e 35% afirmaram temer “parar de pensar sozinho”.

Por isso, a discussão sobre IA na educação não se limita à adoção de novas plataformas ou ferramentas. Ela envolve repensar o que ensinar, como ensinar e, principalmente, o que significa aprender em um contexto no qual o acesso à informação está cada vez mais facilitado.

O futuro da educação passa por novas competências

Outro eixo importante do debate foi a transformação do mercado de trabalho. A expansão da IA cria novas funções, modifica atividades existentes e aumenta a demanda por profissionais capazes de combinar conhecimento técnico, pensamento analítico, criatividade, adaptabilidade e habilidades humanas.

Para o Ibmec, esse cenário reforça a importância de uma formação conectada às transformações econômicas e sociais. A proposta apresentada durante o evento contempla o desenvolvimento contínuo de competências relacionadas à IA e às tecnologias emergentes, aplicadas a diferentes áreas, como negócios, finanças, direito e engenharia.

Paula também chamou atenção para a mudança no perfil das novas gerações que chegam ao mercado de trabalho:

“Estamos em um momento de mudança no perfil dos jovens que estão entrando no mercado de trabalho. As habilidades e competências de quem se forma este ano são diferentes das de quem se formou há 5 anos, por exemplo.”

Nesse cenário, o papel da universidade ganha novas dimensões: formar profissionais capazes não apenas de utilizar tecnologias, mas de interpretá-las, questioná-las e aplicá-las de forma estratégica e responsável.

Uma nova forma de pensar a aprendizagem

O encontro promovido pelo Ibmec e pelo MIT & MIT Sloan Alumni of Brazil mostrou que a transformação provocada pela Inteligência Artificial exige novas perguntas sobre educação, aprendizagem e formação profissional.

Mais do que incorporar ferramentas, o desafio está em repensar práticas pedagógicas, formas de avaliação e experiências que estimulem o protagonismo dos estudantes.

Como sintetizado na apresentação institucional do Ibmec:

“A inteligência artificial é uma alavanca da capacidade humana.”

Encerrando a programação, uma mesa-redonda abriu espaço para perguntas e respostas, ampliando o debate e permitindo a interação entre os participantes e os especialistas. Na sequência, o evento foi finalizado com um coquetel de networking, proporcionando um momento de integração, troca de experiências e novas conexões.

Quem faz o futuro, faz Ibmec!